As Raízes

Reino dos Países Baixos (Holanda)

André Rieu nasceu e reside em Maastricht, capital da província de Limburg, Reino dos Países Baixos, mais conhecido como Holanda.

Um breve passeio pelo país

Com superfície de 41.526 km quadrados, a Holanda é um país muito plano e tem cerca de um quarto de seu território abaixo do nível do mar; por isso a designação "Nederland", ou Países Baixos.

O termo "Holanda" designa a região mais ao norte do país, mais especificamente as duas províncias situadas a noroeste: Noord-Holland e Zuid-Holland.

No território holandês desembocam numerosos rios; por isso suas terras são entrecortadas por inúmeros canais e têm de ser protegidas contra inundações, seja pela preservação de suas dunas naturais ou, adicionalmente, pela construção de diques artificiais como o "Afsluitdijk", que liga a província de Noord-Holland à Friesland, situada mais ao norte.  

Com a construção desse dique, o antigo mar interior "Zuidersee" transformou-se no lago "IJsselmeer" e deu origem à formação de muitos "polders", que são terras drenadas, extremamente férteis, utilizadas na agricultura e na pecuária, e também proporcionam mais espaço para a construção de novas cidades.

Outra obra de grande porte para a proteção da Holanda, na eterna luta dos holandeses contra as inundações, é denominada "Delta"; recentemente concluída; é constituída por diques construídos com a mais moderna tecnologia hidráulica, e também por represas, como a "Oosterscheldam".

As obras "Delta" protegem as províncias Zuid-Holland e Zeeland, esta mais ao sul, onde existem numerosas ilhas, que, no passado, sofreram terríveis inundações; as comportas da grande represa de "Oosterscheldam" são abertas quando o tempo está bom e com poucos ventos, a fim de manterem preservadas a flora e a fauna marinha locais.  

A costa, a oeste do país, e banhada pelo Mar do Norte, estende-se de "Den Helder" a "Hoek van Holland"; ali estão situadas várias cidades pesqueiras, como Scheveningen, Katwijk e IJmuiden, onde pesca-se especialmente o bacalhau e o arenque, e também a solha (schol) e o linguado (tong), e é também uma região bastante procurada pelos turistas, por sua sua beleza, com extensas dunas de cor amarelada, onde cresce o elmo ("helmgras") que proporciona maior  firmeza à areia nessas dunas.

As principais cidades de veraneio nessa região são Scheveningen, Noordwijk e Zandvoort.

Mais afastadas da costa, e protegidas pelas dunas, estendem-se vastas áreas de terras férteis, com destaque para a faixa compreendida entre Heemstede e Leiden, onde predominam as plantações de bulbos florais, em sua maior parte destinadas à exportação, especialmente tulipas, narcisos, jacintos, crócus etc.

Na primavera, quando florescem, transformam-se em atração turística para milhares de admiradores, que vêm apreciar a exuberância dessas flores, como por exemplo, no famoso parque "Keukenhof", em Lisse.


Parque Keukenhof

Mais ao sul, entre Haia e "Hoek van Holland", podem ser vistas muitas estufas construídas com tetos em vidro, onde são cultivadas diversas hortaliças, como tomates e pepinos, e também vários vinhedos.

Outra região muito apreciada, especialmente para férias, é uma reserva ambiental denominada "De Veluwe", cujo nome tem origem no lago "Veluwe"; e compreende uma área delimitada pelas cidades de Ede , Barneveld, Hardewijk, Zwolle, IJssel e Arnhem, onde predominam bosques e áreas alagadiças, sendo que ao centro está situada a cidade de Apeldoorn.

Os turistas instalam-se em casas de veraneio, e também em barcos ancorados às margens dos lagos "Flevomeer" e "IJssel".

No passado, as cidades de Hardewijk e Elburg eram importantes centros pesqueiros, mas atualmente podem ser vistos no local numerosos barcos de lazer, principalmente no "Veluwemeer".

É uma região bastante tranqüila no inverno; porém, no verão conta com um aumento expressivo de visitantes em férias, provenientes em sua maioria, da região conhecida como "Randstad". 

A Randstad tem a maior concentração demográfica da Holanda e é formada por um grupo de quatro cidades: Amsterdam, Haia, Rotterdam e Utrecht; delas, Amsterdam é a mais conhecida; e uma grande atração turística, com seus famosos canais, museus, etc...

Próxima a Amsterdam, estende-se a região do "Het Gooi", onde estão a maioria dos canais de TV, estúdios, etc... do país, como, por exemplo, na cidade de Hilversum.

Ao norte da "Randstad" situa-se a "Zaanstreek", assim denominada por causa do Rio Zaan, que atravessa a região;  "Zaanstreek" é um termo coletivo usado para definir um conjunto de localidades da região, sendo as principais, Zaandam e IJmuiden.

Aí encontram-se vários "polders", e também um museu ao ar livre muito original, com muita água e moinhos, denominado "Zaanse Schans", construído com a finalidade de mostrar como era a vida na região, no passado.


André e as mulheres de sua orquestra em Zaanse Schans quando da gravação de um clip para a música folclórica holandesa “De Klompen Dans” – a Dança dos Tamancos

Em uma região com características bem diferentes, localizada adiante de IJssel, em direção à parte oriental, estão Achterhoek, e Twente; nesse local a natureza mostra-se particularmente bela, com uma grande diversidade de fazendas de criação de gado, pastagens e matas; é uma das regiões mais tranqüilas dos Países Baixos, e onde cultivam-se muitas lavouras, especialmente de milho, de cereais e de batatas; em Twente estão instaladas diversas indústrias têxteis; as cidades mais conhecidas são Enschede e Hengelo.

Na parte norte estão as províncias de Groningen, Friesland e Drente, onde predominam a agricultura e a pecuária, e também são praticados muitos esportes aquáticos, especialmente nos lagos da Friesland; no inverno, quando a camada de gelo nos canais, nos rios e nos lagos torna-se espessa o bastante (no mínimo, 15 cm de espessura), são organizados muitos passeios e corridas sobre patins.

A patinação no gelo é um esporte muito popular na Holanda, e um evento muito conhecido é o "Elfstedentocht": o passeio em patins, envolvendo milhares de patinadores, quando são percorridas onze cidades da província da Friesland; trata-se de uma maratona de 200 km, com os pontos de partida e chegada em Leeuwarden, a capital dessa província.

A província de Groningen é uma grande produtora de gás natural, em grande parte exportado através de gasodutos que se estendem até a Rússia.

Drente, por sua vez, é sobretudo uma região de lavouras, principalmente de batatas; porém, é também uma região petrolífera, sendo que em Schoonebeek podem ser vistas inúmeras bombas de sucção; trata-se da região de menor densidade demográfica da Holanda.

A região sul estende-se desde a fronteira com a Alemanha até a província de Zeeland; em Brabant e Limburg há muitas lavouras e plantações de hortaliças; a primavera é a estação da colheita de aspargos, considerados muito saborosos e altamente valorizados, especialmente em Noord-Limburg.

Em Zuid-Limburg predominavam muitas minas de carvão mineral.

Porém, a partir da década de setenta, tendo em vista a substituição do uso do carvão pelo gás natural, vem predominando a indústria química.

É nessa parte sul que encontramos as maiores altitudes dos Países Baixos; nas "Vaalserberg", em Vaals, encontra-se o ponto culminante, com 323m.

Nessa parte sul está também a Zeeland, que era, até pouco tempo atrás, uma região formada por várias ilhas isoladas; porém após a construção da ponte "Zeelandbrug", com cinco km de extensão, ligando as ilhas de Schouwen, Duiveland e Noord-Beveland, esse isolamento diminuiu bastante.

A grande represa de "Oosterscheldam", parte das obras "Delta", também atinge a província de Zeeland, desde 1986, possibilitando a ligação entre Rotterdam e Vlissingen, sendo que o acesso a Zeeuws-Vlanderen, que antes só era possível dando-se a volta, por terra, através da Bélgica, hoje pode ser feito por via marítima, através dessa represa; em Vlissigen, a propósito, está situado o conhecido estaleiro "Schelde", à margens do rio Schelde.

Na Zeeland vêem-se extensas plantações, sobretudo de batatas, cebolas e linho; Zuid-Beveland é conhecida como "boomgarden", por causa das suas extensas plantações de maçãs, pêras, hortaliças e pequenos frutos, como morangos.


Um pouco da história do Reino dos Países Baixos

Antes do início da era Cristã a Holanda era povoada por tribos Celtas e Germanas; durante cerca de 300 anos fez parte do Império Romano, cujas fronteiras foram limitadas pelo Rio Reno, devido à resistência dos povos que habitavam a região naquela época.

Durante a Idade Média, os "Países Baixos" (que nesse período compreendia os atuais Holanda, Bélgica e Luxemburgo) eram sub-divididos em províncias autônomas, governadas por seus próprios senhores feudais; sob o reinado de Carlos V, foram unificadas e anexadas ao Império Borgonhês-Habsburgo.

Em 1568, o Príncipe Guilherme de Orange (Willem van Oranje) liderou a revolta contra a restrição à liberdade religiosa, e contra as intenções absolutistas de Felipe II, filho de Carlos V; essa revolta deu início à Guerra dos 80 Anos, que somente terminou em 1648, com a assinatura do Tratado de Paz de Munster (também conhecido como "Certidão de Nascimento" do Reino dos Países Baixos).

Nesse Tratado, a República das Sete Províncias Neerlandesas Unidas foi reconhecida como um estado independente; contava com com sete regiões soberanas, porém continuou a ter um elemento feudal: "o stadhouder" (possivelmente uma figura semelhante a um governador designado pelo senhor feudal), poderosa função exercida pelos herdeiros de Guilherme de Orange.

No século XVII, também designado como "Século de Ouro", a república viveu um período de enorme prosperidade, em grande parte proporcionada pela Companhia Unida das Índias Orientais, criada em 1602, para fins de navegação e comércio ao longo das costas da Ásia e África; nesse período a Holanda instituiu várias colônias na Ásia e também na América do Sul, (com a Companhia das Índias Ocidentais, estiveram no Brasil de 1630  a 1654, e dominaram uma extensa faixa territorial costeira que ia do atual Estado de Alagoas até o Maranhão, com o governo centralizado em Pernambuco).

No Século XVIII, a Holanda perdeu a sua posição de supremacia comercial para a Inglaterra, com a qual foram travadas inúmeras batalhas.

Após sua incorporação à França, por Napoleão, voltou, em 1813, a ser um Estado independente, juntamente com a atual Bélgica, com a designação de Reino dos Países Baixos, sob o comando do Rei Guilherme I.

Depois da independência da Bélgica, a Holanda adquiriu a sua configuração atual; Guilherme I foi sucedido por Guilherme II, e este por Guilherme III.

Em 1898, a Rainha Guilhermina assumiu o reinado, sucedida, em 1948, por sua filha Juliana; em 1980 Juliana abdicou do trono em favor de sua filha Beatrix, que permanece nessa posição até os dias atuais.

Hoje, a Holanda é uma monarquia constitucional, com sistema parlamentarista de governo, formado pela rainha e pelos ministros; o país, constituído por 12 províncias, tem a cidade de Amsterdam como sua capital, apesar da sede do governo, por razões históricas, estar localizado em Haia.

Desde o século XVI, o sistema estatal está ligado à Casa de Oranje-Nassau; o palácio "Huis ten Bosch", localizado em Haia, é a residência da Rainha Beatrix van Oranje.

O conjunto de edifícios onde funcionam os órgãos do governo são construções muito antigas e estão localizadas no "Binnenhof"; onde, dentre eles, está "De Ridderzaal" , a Sala dos Cavaleiros, construída no Século XIII, pelo Conde Guilherme da Holanda, de onde a Rainha Beatrix costuma fazer o seu pronunciamento na terceira quinta-feira do mês de setembro (Prinsjesdag).  

Em Haia também está localizado o "Vredespaleis" (Palácio da Paz), onde funciona a "Internationale Gerechtshof", a Corte Internacional de Haia.

A língua oficial é o neerlandês, existindo, no entanto, uma segunda língua oficial: a língua frísia, falada na província de Friesland; falam-se ainda muitos dialetos, dentre os quais, o "Mestreechs", característico da cidade de Maastricht, cidade natal de André Rieu.


As doze províncias e suas capitais

A capital do Reino dos Países Baixos é Amsterdam, mas a sede do Governo e do Estado ficam  em Haia.

Abaixo seguem as denominações das 12 províncias que compõem o País e suas capitais:

Groningen – Groningen

Friesland - Leeuwarden

Drente - Assen

Overijssel - Zwolle

Flevoland – Lelystad

Gelderland - Arnhem;

Utrecht – Utrecht

Noord-Holland - Haarlem;

Zuid-Holland - Den Haag (Haia)

Zeeland - Middelburg;

Noord-Brabant -'s-Hertogenbosch e,

Limburg  - Maastricht


Limburg, Maastricht e a JSO


Às vezes, nos concertos, pode-se ver a bandeira da Província de Limburg presa aos trompetes

Os habitantes de Limburg são considerados mais alegres, hospitaleiros e "festeiros" do que os do restante do país; o carnaval é, na verdade, uma festa característica  dessa região; Maastricht, a capital da província, tornou-se internacionalmente conhecida por causa do "Tratado de Maastricht", celebrado em 1992, e relativo à criação da União Européia. 


Carnaval em Maastricht

 


Hino de Maastricht


Declaração de amor de André Rieu à sua cidade
Maastricht... é lá onde está meu coração"

 

São palavras com que André Rieu expressa o amor à sua cidade, e que não por acaso, inspiraram o título do seu CD lançado ao final de 2005: "Aus meinem Herzen"; esse CD contêm basicamente as melodias com significado muito especial para ele, e que foram apresentadas durante os quatro concertos realizados em Maastricht, em julho de 2005; diz-se que a atmosfera durante aqueles concertos foi simplesmente mágica, pois as melodias pareciam irradiadas diretamente do coração de André.

Ele estava super empolgado por estar apresentando-se em sua própria cidade, pois foi em Maastricht onde tudo começou em sua carreira, e a cidade tem um lugar especial em seu coração.

Para André, os quatro concertos realizados na praça Vrijthof, em Maastricht, representaram o ponto alto de seu trabalho; ele apresentou-se, à luz das estrelas, para 34.000 pessoas, em uma tarde, e em três fabulosas noites de verão.

Os concertos anuais em Maastricht, realizados nos meses de verão, estão se tornando tradição em sua cidade. 

E assim ele explica seu amor à cidade de Maastricht:

"Não foram concertos comuns... tiveram verdadeiramente, grande significado emocional para mim; trabalhei durante meses para sua realização; realizamos turnês por todo o mundo, e é formidável que tenhamos tido sucesso desde a América até a Ásia, mas é em Maastricht onde vivo: é a minha cidade; e ter a oportunidade de tocar para minha própria gente tem um gostinho especial...

Há tempos, quando costumava apresentar-me em Maastricht com a Maastrichts Salon Orkest, o fazia para um pequeno público: mas foi onde tudo começou; nunca me esquecerei disso.

Uma canção folclórica de Maastricht diz assim: "Maastricht é a cidade certa para o lazer e para a música" ; e tem o seu ritmo em três por quatro.

E diz tudo mesmo: Maastricht... É música!

Nasci aqui; e após ter estudado em Amsterdam e Bruxelas, e perambulado pelo mundo por um longo tempo, voltei a Maastricht... para fazer música!

Estou convencido de que essa carreira, que teve início em minha amada cidade natal,  não teria me levado ao sucesso em nenhum outro lugar; foi em Maastricht que realizei meus primeiros concertos com a orquestra de salão, cautelosamente  testando a receptividade da nossa música; e desde a primeira nota que emiti em 1978, na Vrijthof, senti quão calorosamente era recebido pelo povo de Maastricht.

Em que outro lugar poderia, por dezoito anos, a cada Quarta-feira de Cinzas, participar com tanta leveza, da transição do carnaval para a vida cotidiana, tocando valsas e canções, e comendo o tradicional arenque em conserva com cerveja?

Estou certo de que não há em nenhuma outra cidade tantas pessoas que cantaram junto conosco, com tanta musicalidade, cada uma daquelas melodias; não é por acaso que meu coração vive aqui!

No entanto, não é somente o meu coração musical que vive em Maastricht; mas também a pessoa comum; o marido; o pai de família; estou em minha casa!

 

Sou casado com uma legítima garota de Maastricht, e os nossos dois filhos também nasceram aqui; temos uma vida bastante comum, apesar de toda essa turbulência inevitável na vida de um músico. 

Ao passear pela cidade sou cumprimentado como qualquer pessoa comum, com palavras como: " Ei, rapaz, não está trabalhando hoje?...e eu simplesmente ADORO isso!

Não há apertos de mãos; nem pedidos de autógrafos...o povo de Maastricht não se importa com isso; porém, há uma coisa que gosta de fazer, e que algumas vezes faz-me ficar todo encabulado: é quando ouço alguém cumprimentar-me de um jeito que somente o povo de Maastricht é capaz de dizer: "Sjiek jong, totste eine vaan us bis!"  ("Maravilha.. garoto, que você é um dos nossos!").

Então as lágrimas vêm-me aos olhos, e sinto-me tremendamente orgulhoso!"

Leia o texto original no site oficial do André.


Concerto na praça Vrijthof, Maastricht - já é uma tradição anual, no verão holandês

 

André Rieu e Benny Neyman - Ode to Maastricht - ao vivo na praça Vrijthof, Maastrich, 2005


Do DVD Songs from my Heart (Aus meinem Herzen)


Para conhecer mais sobre esta cidade tão especial, visite:

www.vvvmaastricht.nl

www.lovenich.be/pps/maastricht.pps

(aqui podem ser vistas algumas cenas de Maastricht com o fundo musical “Ode aan Maastricht”, cantado por Benny Neyman)


"Het Wilhelmus" - O Hino Nacional do Reino dos Países Baixos

André Rieu, em mais uma demonstração de amor à sua terra, incluiu o Hino Nacional da Holanda - "Het Wilhelmus", em um CD comemorativo do aniversário de 5 anos da loja virtual (Boutique) de seu site. Terra habitada por uma sociedade de vanguarda e de grandes talentos, especialmente nas artes e filosofia (destacando-se o humanismo), a atual letra do Hino Nacional do país é um poema escrito na segunda metade do Século XVI, por Marnix van Sint-Aldegonde, um amigo de Willem van Oranje (o já citado Guilherme de Orange), que era chamado de " Vader des Vaderlands", (o Pai da Pátria), por suas lutas pela liberdade e independência dos Países Baixos, e que deram lugar à Guerra dos 80 anos. Esse poema, contendo 15 estrofes, era o mais conhecido na época; exaltava a figura de Willem van Oranje, e o representava falando ao seu povo. O título, "Het Wilhelmus", foi tirado da primeira palavra do poema, e assim começa: "Wilhelmus van Nassouwe, ben ick van Duytschen bloet..." e segue a primeira estrofe:

"Den Vaderland ghetrouwe Blijf ick tot inden doot: Een Prince van Oraengien Ben ick vrij onverveert Den Coninck Hispaengien Heb ick altijt gheeert."

A melodia do hino é uma antiga melodia militar francesa, de há muito conhecida. Em 1932 "Het Wilhelmus"  foi oficialmente declarado como o Hino Nacional da Holanda.


Como André e sua esposa Marjorie se conheceram

CD “December Lights” – uma história de amor

“Com a rápida aproximação da época natalícia a superestrela internacional André Rieu convida-o a um concerto de Natal festivo em sua casa com o novo CD “December Lights”. A celebração romântica do Natal de Rieu é exatamente o que você precisa para entrar no espírito das festas natalícias.  
Um dos destaques também incluídos no CD é a canção de Natal escrita pelo próprio Maestro: December Lights.

Este canto teve como inspiração o momento em que Rieu conheceu a sua mulher Marjorie na cidade invernosa de Bruxelas, Bélgica.

“Naquela altura eu era um jovem músico sem dinheiro a estudar violino no conservatório mas, apesar de alguns desconfortos materiais, a companhia de uma pessoa tão maravilhosa fez-me passar por um dos momentos mais felizes da minha vida."

O álbum “December Lights” é exatamente o que você precisa para entrar no espírito da época natalícia; a melhor seleção de canções de Natal no CD de certeza que lhe vão aquecer o coração nos dias frios de inverno.”

O texto acima, de divulgação do CD “December Lights”, foi extraído do site oficial de André Rieu: www.andrerieu.com

Porém achamos conveniente escrever um esclarecimento sobre como André e Marjorie Rieu se conheceram, com base no livro escrito pela Marjorie, “Mijn Werk, mijn Leven”, pois uma das frases do texto acima nos pareceu equivocada: 

Este canto teve como inspiração o momento em que Rieu conheceu a sua mulher Marjorie na cidade invernosa de Bruxelas, Bélgica.

Segundo trechos do relato de André, transcrito por Marjorie Rieu no Livro “André Rieu, My Music, My Life”, ele e a Marjorie, em realidade, já se conheciam há muito tempo. Marjorie era colega de classe de Teresia, irmã de André.

Eles se encontraram pela primeira vez em uma festa de São Nicolau, em casa de André.

André tinha treze anos de idade e estava cursando o primeiro ano da escola secundária, mas estava inteiramente apaixonado por Romy Schneider, no papel da Imperatriz Sissi, e portanto não estava nem um pouco interessado nas colegas de classe de Teresia.

Mas, mesmo assim, só uma das colegas de Teresia presentes à festa lhe chamou a atenção, entre trinta adolescentes do Colégio Católico feminino; aquela que tinha os cabelos escuros e cacheados e olhos faiscantes.

A cabeça cacheada em questão não parecia interessada aquela noite em nada além dos presentes e os poemas tradicionais que cada uma havia escrito sobre a outra.

“Marjorie só se lembrava de uma coisa em particular sobre aquela noite, disse-me mais tarde. (palavras de André)

Ela era apenas uma menina, e teve a impressão que em nossa grande família, havia uma porção de garotos se movimentando por todo lado com bolos e biscoitos; todos eles irmãos e irmãs de sua colega Teresia; e dentre todas aquelas crianças ela só se lembrava de um rosto e de um nome: André.

Ela não estava ainda muito interessada no sexo oposto, e por um longo tempo perdemos contato um com o outro.

Cerca de seis anos depois, eu me encontrei novamente com a Marjorie, apenas por um instante, quando levava a Teresia à sua casa para uma reunião de classe.

Mais tarde, quando passava com minha “scooter” (um tipo de lambreta) motorizada por perto de sua casa, a caminho de Liège, (Bélgica), costumava pensar comigo - “aqui é que mora a Marjorie” - sem saber que ela havia se mudado da casa de seus pais havia bastante tempo e agora estava morando em uma república para estudantes em Nijmegen, onde estudava alemão na universidade.

Naqueles dias eu ainda não prestava muita atenção nela, ou em qualquer outra garota, pois estava muito ocupado praticando com o violino!

Cercada em Nijmegen , por, principalmente colegas masculinos, Marjorie parecia ter se esquecido de mim também.

Porém, nas férias de verão, em Maastricht, costumava passear de bicicleta nas noites mais amenas, e então passava por detrás de nossa casa, atravessando o parque da cidade, guiada por vagas recordações de alguém chamado André.

Somente doze anos depois de nosso primeiro encontro, é que nos encontramos novamente, em um concerto de minha irmã Teresia, que havia se transformado em uma harpista muito conhecida.

Foi quando aquela pequena chama piloto, ainda acesa em nós dois, transformou-se em uma grande chama que nunca mais se extinguiria.

De acordo com a Marjorie, eu encarnava o seu ideal romântico de um artista amável, inteligente, mas pobre.

Por outro lado, ela preenchia todos os meus sonhos: afinal eu tinha encontrado uma garota delicada, com senso de humor, que era também bonita e inteligente.

Que mais poderia eu desejar?

Após a escola secundária, Robert e eu estudamos por algum tempo nos conservatórios de Maastricht e Liège.

Fiz também diversas viagens de estudo à Alemanha, América do Norte e do Sul, e a outros lugares.

Na Alemanha conheci o famoso professor de violino húngaro, André Gertler, que lecionava no Conservatório de Música de Bruxelas.

Então decidi, aos vinte e quatro anos, continuar meus estudos com esse professor, e depois de uma difícil entrevista , fui admitido à sua classe.

Peguei as minhas coisas e fui para Bruxelas, onde morei em um apartamento para estudantes muito simples.

Em tudo por tudo minha vida naquele período, para dizer a verdade, era um grande desapontamento.

Pela primeira vez em minha vida eu estava solitário e extremamente infeliz.

Quando Marjorie veio a Bruxelas me visitar pela primeira vez, ela descobriu que eu não só era um namorado muito atencioso, mas que também era completamente desorganizado e ela certamente nunca estaria entediada enquanto estivesse comigo: havia muito trabalho a fazer ali.”

Então, nas palavras do próprio André, ele e a Marjorie não se conheceram em Bruxelas; eles já eram namorados, e ela apenas ia visitá-lo naquela cidade enquanto ele estudava com o professor André Gertler.

Não há indicações precisas da época dessas visitas, mas deve ter sido provavelmente na primeira delas que André, evidentemente muito inspirado, compôs a “December Lights” para ela, e que incluída nesse álbum, deu nome ao CD.


Fontes:

"A Holanda, a sua língua e os seus costumes", de Auguste F. de Rooy-Gisschler e Emilie M. lens-Fasting;

"Zo Zijn Onze Manieren" (Esse é o Nosso Jeito), escrito por J. van der Toorn-Schutte.

Folder - Os Países Baixos" - publicado pelo Ministério das Relações Exteriores da Holanda (agosto 1998).