A Música, AR e os Compositores do seu repertório

Johannes Kalpers, um tenor alemão que chegou até a mim em seus CDs e DVDs através de André Rieu - Johanne foi um dos convidados do maestro para o terceiro programa da série da TV alemã ZDF “Zauber der Muzik”, ambientado em Viena, e apresentado por André e Bárbara Wussow - diz no folder de um de seus CDs que a música é o alimento da alma.

E diz André Rieu, no livro “Meu Trabalho, Minha vida”, (esse é o título do livro em holandês; o título da versão em inglês é Minha Música, Minha Vida):

“... Todos os dias recebo cartas vindas de todo o mundo, vindas de fãs que me dizem que a minha música significa muito para eles; que os reanima e auxilia a atravessar tempos difíceis; que algumas vezes até parece possuir qualidades curativas – em resumo: minha música os faz felizes.”

“Em cada concerto que apresentávamos, alguém presente na platéia nos convidava para apresentar outro concerto; logo os asilos para idosos e centros de reabilitação procuravam as salas de concerto e os teatros onde nos apresentávamos... nunca me esquecerei que foi ali, junto àqueles idosos, muitos dos quais, provavelmente não estejam mais entre nós, que a carreira da Maastrichts Salon Orkest realmente começou:foi ali que me dei conta pela primeira vez o quanto que a música pode se tão importante para as pessoas; você pode fazer as pessoas realmente felizes com a música, aliviando suas tristezas, suas dores e solidão, pelo menos por alguns instantes, e dar a elas a impressão de uma vida melhor.

...Desde então tenho como objetivo em meus concertos levar as pessoas a esquecer seus males e serem felizes por uma noite, de forma que quando estiverem de volta a seus lares pensem que afinal a vida não é tão ruim, apesar de tudo.

...Por sorte, pelas reações entusiásticas que recebo, penso que estou no caminho certo e tive êxito em levar as coisas dessa maneira.”

Assim, cremos ser bastante ilustrativo trazer um breve perfil de alguns dos grandes compositores cuja música está presente no repertório de André Rieu, iniciando com:

Os Strauss - Johann Pai, Johann Filho e Joseph

Johann Strauss (pai) nasceu em Viena, capital da Áustria, em 14 de março de 1804.

Integrou durante algum tempo a orquestra de Joseph Lanner como violonista (a viola é um instrumento semelhante ao violino, mas com som mais encorpado e doce, menos estridente e mais grave, com altura intermediária entre o violino e o violoncelo; Pierre Colen é o violonista mais antigo da JSO).

Ao deixar aquela orquestra, criou inicialmente um quarteto de cordas, e depois, a sua própria orquestra, em 1825.

Em 1826, compôs a “Valsa dos Tauben”, inspirado enquanto passeava pelos jardins da família Tauben, e a seguir, mais uma série de valsas vienenses, cujos nomes são os nomes dos lugares onde foram ouvidas pela primeira vez.

Johann Strauss Pai compôs 146 valsas, 36 galopes, 31 quadrilhas, 24 marchas, 14 polcas e algumas contradanças e cotihõesb (sua Marcha Radetzky faz parte de todos os concertos de André Rieu).

Tornou-se ídolo nacional e, a partir de 1831, iniciou suas apresentações nos bailes da corte vienense, e turnês de grande sucesso pela Europa Central e Ocidental no período de 1833 a 1849.

Em fevereiro de 1840 a Rainha Vitória da Inglaterra dançou uma valsa durante a festa de seu casamento: um escândalo para os tradicionalistas, mas um grande triunfo para o ritmo três por quatro.

Johann Strauss Pai morreu em Viena, em 24 de setembro de 1849.

De seus treze filhos, três se tornaram regentes e compositores: Joseph ( 1827 a 1870), Eduard ( 1835 a 1916) e Johann Filho (1825 a 1899).

Joseph Strauss era introvertido e melancólico e dividiu a direção da orquestra da família nos anos das décadas de 1850 e 1860.

Compôs valsas em um tom mais sério e romântico, além de polcas, quadrilhas e marchas.

O caçula Eduard Strauss foi diretor musical dos bailes imperiais e reais de Viena, sendo considerado o melhor regente da família.

Johann Strauss Filho seria o mais famoso de toda a dinastia Strauss vienense.

Nasceu em Viena, em 25 de outubro de 1825.

Sua primeira profissão nada tinha a ver com a música; bancário, para satisfazer a vontade de seu pai.

Mas atendendo ao chamado da música em seu interior, estudava o violino sem o conhecimento do pai.

Desde os dezesseis anos, Schiani, o apelido familiar de Strauss, compunha música dançante, cada vez mais popular.

Sua produção musical chegava a uma média de duas valsas por mês.

Aos dezenove anos fez uma surpresa a seu pai: ao regressar de uma turnê Johann Strauss Pai encontrou as ruas de Viena repletas de cartazes anunciando a apresentação da orquestra de seu filho, e suas valsas.

Johann Pai ficou ainda mais surpreso quando ao enviar olheiros para os concertos, recebeu notícias avassaladoras: em 15 de outubro de 1844, a orquestra de seu filho foi obrigada a voltar ao palco por 19 vezes para repetir a valsa “Epigrama”.

Durante algum tempo as duas orquestras foram concorrentes, mas com a morte do patriarca, em 1949, foram transformadas em uma só.

Quando chegou ao principal salão de bailes de Viena, Johann Strauss Filho recebeu de um dos músicos, o violino que pertencera a seu pai, e com ele conduziu as orquestras finalmente unidas.

Na platéia, um cartaz previa o futuro do jovem: “Viva o Rei da Valsa”.

O novo regente dividiu a orquestra em 4 grupos, e a cada noite, regia um após o outro.

Aos 29 anos, a fadiga o levou a delegar a seu irmão Joseph parte dessa tarefa. Com isso o jovem e próspero músico pode dedicar-se à composição, além de viajar pela Europa e estados Unidos, onde realizou uma apresentação histórica, ao reger uma orquestra de quase 1000 músicos na comemoração dos 100 anos da Independência americana, em 1876, em Boston.

Strauss Filho era elegante, esguio, com brilhantes olhos negros e cabelos escuros ondulados.

Compôs sua valsa mais conhecida e popular, o “Danúbio Azul”, depois de se casar com Jetty Treffz, seis anos mais velha do que ele.

Essa valsa se transformaria, praticamente, no hino de Viena, e serviu como tema do conhecidíssimo filme de Stanley Kubrick “Uma Odisséia no Espaço” (1968).

Seguiram-se outras composições memoráveis, como: Vozes da Primavera, Sangue Vienense, Vida de Artista, Vinho, Mulheres e Música, O Conto dos Bosques de Viena, Valsa do Imperador, Rosas do Sul, etc, (a maioria faz parte do repertório da JSO).

Para compor a opereta “Die Fledermaus” - O Morcego (1874) (a sua ária Mein Herr Marquis é maravilhosamente interpretada por nossa conterrânea (do Rio Grande do Sul), a soprano Carla Mafiolletti, em várias apresentações da JSO), considerada a obra prima de Strauss Filho, este teve uma influência decisiva de seu amigo Offenbach, Jacob Ebert, mais conhecido como Jacques Offenbach, nascido em Colônia, na Alemanha – 1819 a 1880, compositor e violoncelista,o mais importante compositor de óperas cômicas da Europa na época e que passou um período em Viena, por volta de 1870.

A segunda opereta mais famosa de Strauss é “Der Zigeunerbaron” - O Barão Cigano, (da qual, a soprano Carmen Monarcha, brasileira de Belém do Pará, apresentando-se com a JSO, em dueto com o tenor holandês Morchi Franz, canta magnificamente uma das melodias preferidas de André Rieu, que faz um solo lindíssimo dessa melodia no DVD “100 anos de Strauss”, “Wer uns getraut” (Quem é que nos une?).

Depois dessa ópera, na qual exalta a alegria de viver em Viena, Strauss compôs mais 13 operetas, vistas como deliciosas crônicas dos costumes da época.

Consagrado em vida, entre seus amigos famosos estava também o compositor Brahms, recebeu do Imperador Franz Joseph, o maior de todos os elogios para quem, na juventude, teve idéias republicanas (a Áustria hoje é uma república, mas preserva o Palácio de Schönbrunn, defronte ao qual André Rieu fez um belíssimo concerto, com corpo de baile de Viena, carruagem, etc., e até construiu uma réplica para servir de palco para suas apresentações em vários países): “Tu também és Imperador!”.

Ao morrer, aos 73 anos de idade, em 3 de junho de 1889, (André Rieu lançou um DVD especial:“100 Anos de Strauss”, em 1999, apresentando só composições de Strauss, em comemoração ao centenário de sua morte, com clips gravados em Viena, e até uma homenagem singela ao compositor, colocando um buquê de flores em seu túmulo), Johann Strauss Filho deixou um patrimônio musical de 479 obras, entre valsas, polcas, operetas e, para sempre, o encanto que uma valsa de Strauss provoca.

Pode-se dizer que ele, além de seu talento especial para a música, tornou-se símbolo de uma época que glorificava, com suas músicas, uma alegria de viver jamais superada.

Fonte: site.classicos.hpg.

 

Segundo o livro escrito pela Marjorie Rieu, “My Music, My Life”, alguém perguntou a André qual era o seu compositor favorito.
André respondeu que aquela era uma pergunta difícil; que ele amava todas as formas de música, se ela fosse bem composta, de qualidade, e fosse executada com um sentimento verdadeiro; mas se ele fosse nomear uns poucos favoritos, então ele teria de falar de Johann Strauss (naturalmente), de Mozart e de Verdi.

Como já escrevemos anteriormente alguma coisa sobre Strauss, agora vamos a Mozart.

Wolfgang Amadeus Mozart (27/01/1756 a 05/12/1791)

Músico austríaco, um dos sete filhos do compositor, cantor, ator e violinista profissional Leopold Mozart (1719 -1787) e de Anna Maria Walburga Pertl (1720 -1778), Johannes Chrysostomus Wolfgang Gottlieb Mozart, mais conhecido como Wolfgang Amadeus Mozart, destaca-se pela sua precoce genialidade, e é considerado o maior prodígio da história da música.


Mozart, retratado postumamente por Bárbara Kraft, em 1819

Mozart teve os primeiros contatos com o Cravo aos quatro anos de idade, quando seu pai dava aulas de Cravo à sua irmã Maria Anna (1751-1829), apelidada de Nannerl.
Leopold Mozart era um músico de talento e também excelente professor de Violino; ele trabalhava como segundo mestre de capela da corte do Arcebispado (naquela época Salzburgo era um Estado papal) servindo diretamente ao Príncipe-Arcebispo Siegmund von Schrattenbach, um homem culto e sensível às artes.

Nessas aulas, após Maria Anna deixar o instrumento para o descanso, o menino Amadeus tomava o seu lugar e começava a tocar, demonstrando uma habilidade espantosa.
Desde muito cedo mostrou extraordinária vocação musical; não tardou a compor pequenas peças, deslumbrando o pai e os amigos da família Mozart.
Seu pai resolveu então investir no talento do filho, passando a ensinar música ao casal de irmãos, sendo que Mozart rapidamente aprendeu a tocar esses dois instrumentos.
Aos cinco anos de idade, já compunha e tocava minuetos.
Aos nove anos já era autor de sinfonias e, aos quinze, já havia compilado mais de uma centena de obras substanciais.
O pai, desde cedo, concluiu que esse prodígio devia ser divulgado para o mundo, visualizando também uma possibilidade de ganhar dinheiro, visto que vivia em dificuldades com o pequeno salário que recebia pelo trabalho na igreja do Arcebispo Schrattenbach.

O religioso era condescendente com Leopold Mozart, permitindo que este se ausentasse com os filhos, em exaustivas excursões artísticas, iniciadas em 1762 (Mozart tinha apenas 6 anos quando fez a sua primeira turnê), que os levaram à Alemanha, França, Inglaterra e Itália, colocando-os em contato com os maiores músicos e compositores da época.
Amadeus e a irmã, logo superada em talento, tocaram para os reis, rainhas e duques em grandes festas das cortes desses países.

Wolfgang fez estrondoso sucesso nas cortes: maravilhou a todos, soberanos, príncipes, cortesãos, com suas peripécias (muitas vezes mais acrobático-circenses que musicais).
O garoto era considerado um verdadeiro milagre e passou vários anos entre as viagens com o pai e a sua casa em Salzburgo, mas sempre encontrava tempo para escrever suas primeiras composições mais sérias, como a primeira ópera, “La finta semplice”, escrita em 1768, quando tinha apenas doze anos.
Em 1771, fixa-se em Salzburgo para trabalhar com o pai na corte do arcebispo local, mas continua a viajar e a aceitar pedidos de composições vindos do exterior.

Com treze anos (1769), Wolfgang foi nomeado “Konzertmeister” da corte, o que equivaleria ao cargo de Primeiro-violino. Passou algum tempo em Salzburgo e depois resolveu partir para a Itália, onde recebeu algumas honrarias e conheceu a música e, principalmente, a ópera italianas.
Foi uma viagem reveladora, que marcou o amadurecimento do jovem, que começava a imprimir sua marca pessoal às composições, como as óperas “Mitridate” e “Lucio Silla”.

Dedica-se com afinco à opera e cria obras que são atualmente consideradas as melhores de todos os tempos.

Entre elas, "Idomeneo" (1781), "O Rapto no Serralho" (1782), "As Bodas de Fígaro" (1786), "Don Giovanni" (1787), "Cosi fan Tutte" (1790), "A Clemência de Tito" (1791) e "A Flauta Mágica".
Esta última, escrita em 1791, ano de sua morte, é a sua composição mais conhecida, na qual usou como tema uma história oriental de contos de fadas.

Mozart, Haydn e Beethoven são considerados os grandes pilares do Classicismo.
Mas, enquanto Haydn, mais velho, pioneiro e iniciador, era mais ligado ao gênero Barroco, e Beethoven, mais novo, ampliador e revolucionário, e com um pé no Romantismo, Mozart representava o elemento central do período.

Schumann costumava dizer que "Mozart é a Grécia da música" e a frase não poderia estar mais correta: se Mozart não tivesse existido, a segunda metade do Século XVIII poderia ser considerada apenas um período de transição.
A obra mozartiana representa, então, a maturidade do estilo clássico, e sua expressão mais pura e elevada.

Ao mesmo tempo, Mozart consegue ser, dos clássicos, o mais clássico e também o mais romântico; em sua obra, o formalismo, a frivolidade e a superficialidade unem-se à expressividade, à subjetividade, ao sentimento.
É uma grande contradição que Mozart tratasse essas características do modo mais harmonioso possível; o resultado é uma obra sublime e apaixonante, que nunca deixa de envolver o ouvinte.
Os gêneros mozartianos, por natureza são dois: o Concerto, principalmente para piano, e a Ópera.
Mas ele cultivou também todas as outras formas de música de sua época, com uma produção extraordinária (cerca de seiscentas obras) para uma vida tão curta, de apenas 35 anos.
O resumo abaixo destaca um pouco dessa vastíssima obra de Mozart:

Sinfonias :

Mozart escreveu 41 sinfonias; as primeiras são, em geral, obras bastante curtas, em três movimentos.
Dessa fase inicial destaca-se a “Sinfonia no. 25”, justamente uma das pioneiras a incluir um minueto entre o movimento lento e o finale; o início dessa sinfonia original é bastante vigoroso e tenso, e tornou-se famoso.

Outra peça chave na produção sinfônica mozartiana é a “Sinfonia no. 35 - Haffner”.
Foi a primeira sinfonia composta em Viena, e a partir desta, só aparecerão obras-primas: a “Sinfonia no. 36 – Linz”, e as três últimas, a “Sinfonia no. 39 - K.543”, a célebre e feérica “Sinfonia no. 40 - K.550” e a “Sinfonia no. 41- Júpiter”, esta considerada a maior de todas.
Só pela última trilogia (que, aliás, foi composta para um concerto depois cancelado por falta de público), Mozart garantiria lugar como grande precursor de Beethoven.

Serenatas :

Eram melodias de entretenimento, um gênero recorrente na obra mozartiana.
Foram compostas principalmente durante seu período na corte de Salzburgo, quando lhe era constantemente solicitada a composição de serenatas e divertimentos - música leve para animar festas, bailes e comemorações.
A mais conhecida peça do gênero é a “Serenata em Sol Maior, K. 525” , mais conhecida como “Eine Kleine Nachtmusik”.
Suas primeiras notas ficaram tão famosas que tornaram-se algo como a assinatura de Mozart para o ouvinte comum.
Também são célebres a “Serenata K. 239”, a “Serenata Noturna”, e a “Serenata K. 250, Haffner”.
Entre os divertimentos, poderíamos destacar o “K. 251, em Ré Maior”.

Música de Câmara:

Haydn foi o grande criador e consolidador da música de câmara clássica, isto é, aquela que gira em torno do quarteto de cordas e da forma-sonata.
Mozart levou isso adiante, e sentiu-se sempre devedor do mestre, tanto que suas maiores obras-primas no gênero são dedicadas a ele: são seis quartetos, compostos em 1785.
O último deles, “K. 465, em Dó Maior”, conhecido como o “Quarteto Dissonante”, é o mais célebre, tanto pela "dissonância" inicial como pelo sublime movimento lento.

Mozart também tentou outras formações instrumentais e praticamente inventou uma: o quarteto com piano; ele escreveu dois deles, e o primeiro, “K. 478”, é o mais importante.
No campo dos quintetos, Mozart compôs dois exemplares famosos: o “Quinteto de Cordas K. 515” e o “Quinteto para Clarinete K. 581”.

Música Instrumental :

Mozart era um grande virtuose do piano, e não poderia esquecer seu instrumento predileto.
Além da “Sonata em Lá Menor, K. 331”, a do famosíssimo “Rondó alla Turca”, destacam-se as sonatas “K. 310” (também em Lá Menor) e “K. 457”, em Dó Menor.
Para violino e piano, são importantes as sonatas “K. 454” e K. 526”.
Fora do gênero sonata, Mozart escreveu uma obra belíssima e altamente pessoal, a “Fantasia para Piano em Dó Menor, K. 396”.
Foi composta em 1784, época em que estava apaixonado por Theresa von Trattner; a peça é uma confissão de seus sentimentos. Em muitos aspectos, é quase um prenúncio do romantismo.

Música Sacra:

Mozart, que trabalhou durante um período da sua vida em um Estado papal, Salzburgo, tendo como patrão um Príncipe-Arcebispo, escreveu um bom número de peças destinadas à liturgia católica.
O “Réquiem”, sua última obra, é a maior representante do gênero. Ela impressiona pela nobreza, pela beleza dos temas e pela densidade.
É companheira digna da “Paixão Segundo São Mateus”, de Bach, e da “Missa Solene”, de Beethoven, pela grandiosidade e pelas profundas reflexões que provoca no ouvinte.
Mozart escreveu também duas importantes missas: a “Grande Missa em Dó Menor ” (que ficou inacabada) e a “Missa da Coroação”.
“Ave Verum”, obra coral de pequena proporção, porém de grande beleza, também se destaca entre a produção sacra mozartiana.

Óperas:

Mozart foi o maior operista de sua época e tinha grande senso dramático; as óperas mozartianas são divididas em dois grupos: as menores, geralmente as primeiras de sua carreira, e as grandes, as óperas imortais.

Dentre as primeiras, além das compostas quando muito jovem, estão “Mitridate”, “Lucio Silla”, “O Rei Pastor”, “Idomeneu” e “ La Clemenza di Tito”. São obras que não negam a genialidade de Mozart, mas não eram tradicionais. Curiosamente, estas óperas foram as que receberam a melhor acolhida do público em suas estréias.
O grupo das óperas imortais é composto pelos tradicionalmente eleitos "cinco pontos máximos" da dramaturgia mozartiana.
Em ordem cronológica: “O Rapto do Serralho”, “As Bodas de Fígaro”, “Don Giovanni”, “Così fan Tutte” e “A Flauta Mágica”.
A última é considerada a maior delas, e uma das mais importantes óperas de todos os tempos; ela, como “O Rapto do Serralho”, é um “singspiel”, gênero alemão que alterna música com diálogos falados.

Concertos:

O concerto, especialmente para piano, em Mozart, tem papel e importância semelhante ao da sinfonia, em Beethoven.
Mozart compôs concertos para piano por toda sua vida (ao todo, são 27), e praticamente criou o gênero, definindo seus moldes para os compositores seguintes.
Ele começou no gênero com apenas nove anos, em um concerto baseado em três sonatas de Johann Christian Bach. Mas o primeiro concerto para piano realmente digno de nota é o de número “9, em Mi Bemol Maior, K. 271”, composto em 1777 para a pianista Jeunehomme.
A dedicatória valeu o apelido do concerto, e até hoje ele é conhecido como “Jeunehomme”.

Em Viena, Mozart compôs o “Concerto no. 17, K. 453”, que seria seguido de uma série de 14 concertos escritos entre 1784 e 1786.
Entre eles, os de número 20, dramático, o famosíssimo 21 (cujo Andante foi usado no filme sueco Elvira Madigan), o alegre e angelical 23, e o denso e quase sinfônico 24, em Dó Menor , talvez o maior de todos.
Para outros instrumentos além do piano, destacam-se os três primeiros concertos para violino (em especial o terceiro, “K. 216”), o “Quarto concerto para trompa, K. 495”, o “Concerto para Flauta e Harpa, K. 299”, o “Concerto para Flauta no. 1, K. 313”, o “Concerto para Fagote, K. 191”, e o belíssimo “Concerto para Clarinete, K. 622”.

Mozart também escreveu composições de um gênero herdeiro do concerto grosso barroco: “a sinfonia concertante”, que equivale ao concerto para mais de um solista; a mais conhecida é a “Sinfonia Concertante para Violino e Viola, K. 364”, uma obra belíssima, profundamente pessoal e emocionante.

 

Fontes:

http://geniosmundiais.blogspot.com.br/ (Maxproview)

Folha de S. Paulo, Nova Enciclopédia Ilustrada

http://educacao.uol.com.br/biografias/mozart.jhtm