Orquestra

    

Conceito, evolução e André Rieu

Antes de apresentar a Johann Strauss Orkest, creio não ser demais falar um pouco sobre o conceito e a evolução do agrupamento musical denominado “orquestra”; pela complexidade do assunto dá para sentir a competência com que André construiu e evoluiu com suas duas orquestras, a partir de uma formação com apenas cinco integrantes organizada em 1978.

Fonte: wikipedia.org

 “O termo orquestra designa um agrupamento instrumental utilizado sobretudo para a execução da música em sua forma erudita.

Originalmente designava uma parte do teatro grego, onde um coro formado por bailarinos e músicos fazia evoluções sobre um estrado chamado 'orkhéstra', situado entre o cenário e a platéia.

'Orkhéstra' provém do verbo 'orcheisthai', que significava 'dançar' ou 'eu danço'. O vocábulo grego passou ao latim como 'orchestra', com o mesmo significado, como documentam os escritos de diversos poetas romanos.

No século I, Vitruvio e Suetonio o utilizaram para designar o lugar destinado aos senadores no teatro romano.

A palavra chegou ao francês em fins da Idade Média em traduções dos textos de Suetonio, porém só se aplicou ao teatro moderno a partir do século XVIII, com a ópera italiana.

Às orquestras completas dá-se o nome de orquestas sinfônicas ou filarmônicas; ambas com a mesma constituição instrumental, sendo que se diferenciam apenas quanto à forma de financiamento: a orquestra filarmônicaé financiada por uma instituição privada, ao passo que a sinfônicaé mantida por uma instituição pública.

As orquestras chegam a contar em sua formação com mais de oitenta músicos, e em alguns casos mais de cem, embora, quando em atuação, esse número seja ajustado em função da obra a ser executada; uma orquestra pode incluir músicos “freelancers” para tocar em instrumentos específicos que não compõem o conjunto original.

Uma orquestra, dita completa, é composta de cinco classes ou naipes de instrumentos:

Entre tais grupos de instrumentos, e em cada um deles, existe uma hierarquia implicitamente aceita: cada seção (ou grupo de instrumentos) conta com um solista (ou principal) que será o protagonista dos solos e da liderança do grupo.

Os violinos são divididos em dois grupos - primeiros violinos e segundos violinos - o que pressupõe dois violinistas principais.

O líder dos primeiros violinos, o qual é designado como líder não só de toda a seção de cordas, mas de toda a orquestra, fica subordinado unicamente ao maestro;  esse violinista é denominado “spalla”.

 

(André Rieu é um “stehgeiger”, isto é, toca o violino de pé, de frente para o público, atuando ainda como líder de todas as seções e, simultaneamente, como maestro, regendo a orquestra.)

A história das orquestras está intrinsecamente ligada à história da música instrumental: sempre existiu a prática da música em instrumentos musicais, mas por muito tempo essa prática foi minoritária em relação à música vocal; na maioria das vezes os instrumentos musicais eram usados apenas como apoio ou acompanhamento às vozes.

Somente no século XVI, durante o Renascimento, é que a música instrumental começou a ser praticada de forma autônoma, ou seja, foi com a música renascentista que os instrumentos musicais ganharam o status de merecerem ser ouvidos independentemente da música vocal, inicialmente com transcrições da música vocal ou de danças estilizadas, sendo o órgão e o alaúde os primeiros instrumentos solistas de uma orquestra.

A idéia de formar grupos instrumentais é muito antiga, mas durante o período medieval esses grupos não tinham uma estrutura definida: comumente as partituras daquele período eram indicadas apenas para vozes, mas as partes vocais podiam ser reforçadas ou mesmo substituídas por instrumentos musicais.

É provável que o “Hoquetus David”, obra musical do século XIV, tenha sido a primeira composição instrumental: não há nela qualquer indicação de instrumentos, mas os estudiosos chegaram a essa conclusão tendo em vista que não foi encontrado nenhum texto que a caracterizasse como música vocal.

Além do apoio à música vocal, os grupos instrumentais também foram, desde a antiguidade, usados em cerimônias públicas, e em locais abertos; as festas romanas no Coliseu já usavam grupos de cornetas e  outros instrumentos de grande volume.

Acredita-se que tenha sido por causa dessa ligação com festas pagãs, e com espetáculos que envolviam o martírio de cristãos, que a tradição cristã proibiu o uso de instrumentos musicais na música litúrgica.

No entanto, as cortes feudais usavam com freqüência os instrumentos os mais estridentes para cerimônias de coroação e festas em lugares abertos, mas o surgimento da formação denominada “orquestra” está mais ligado a uma autonomia e a uma padronização dos grupos instrumentais, sempre acompanhando as tendências decorrentes do desenvolvimento da cultura urbana e burguesa da época.

Dentro desse conceito. os primeiros grupos classificados como “orquestras” foram aqueles determinados pelo veneziano Giovani Gabrielli (1557-1612) para o acompanhamento de suas ’’Sinfonias Sacras’’ compostas por volta do ano de 1600.

Quase simultaneamente, em Florença, Cláudio Monteverdi (1567-1643) também definiu uma orquestra para o acompanhamento de sua ópera “Orfeo”, composta em 1607.

Essas orquestras primitivas, surgidas no início do período barroco, foram os primeiros grupos instrumentais com instrumentos definidos, correspondendo às primeiras tentativas feitas por compositores em obter um grupo instrumental de timbre definido, ou seja, a partir deste período, os compositores passaram a não mais deixar a definição do timbre dos grupos instrumentais a cargo dos executantes, institucionalizando uma formação instrumental mais definida.

Porém, não havia ainda uma formação orquestral fixa, o que só iria acontecer no final do primeiro quartel do século XVIII.

A orquestra, nessa época considerada barroca, era largamente baseada nos instrumentos da família das violas, de timbre mais grave que os violinos.

Essa era a configuração de orquestra usada por Monteverdi, sendo que essa família de instrumentos predominou por todo o século XVII.

Ao final do período barroco os instrumentos da família das violas foram perdendo a preferência para os da família dos violinos.

As orquestras do início do século XVIII já eram basicamente formadas por um naipe desses instrumentos de cordas, que continuam sendo a base das orquestras até hoje.

Dois compositores, Corelli (1623-1713) e Vivaldi (1678-1741).podem ser destacados como os pioneiros na escrita de melodias para cordas (termo com o qual designamos hoje um grupo instrumental formado por instrumentos de cordas da família dos violinos, servindo também como sinônimo para um grupo instrumental denominado orquestra de cordas).

Outros compositores desse período, cujas obras instrumentais também são largamente baseadas nas cordas da família dos violinos, são J. S. Bach (1685-1750), Handel (1685-1759) e Telemann (1681-1767).

Em resumo, apesar da “orquestra”, no período barroco, não estar ainda caracterizada como formação instrumental, pois havia grande variação entre as formações empregadas por cada compositor, ou mesmo para obras diferentes, do mesmo compositor, já se podia antever as tendências que se afirmariam plenamente no período chamado “clássico”: substituição dos instrumentos da família das violas pelos da família dos violinos; abandono da grande variedade de instrumentos antigos de sopro; e a prática de escrever para as cordas a quatro partes, como se fossem as quatro vozes de um coral.

O fim do período barroco coincide com uma grande mudança na construção dos instrumentos musicais, devido à novidade da afinação pelo sistema temperado, que passava a substituir o antigo sistema de afinação, por oposição, denominado como não-temperado.

O sistema temperado está ligado à consolidação do sistema tonal, baseado nas escalas maiores e nas escalas menores e em suas transposições.

Os instrumentos construídos para serem afinados pelo sistema temperado foram sendo adaptados para salas cada vez maiores, perdendo riqueza de timbres e ganhando em potência e homogeneidade sonoras – isso para acompanhar a tendência de deslocamento da prática musical das igrejas, e dos salões aristocráticos, para os teatros e os concertos públicos realizados ao ar livre.

Toda a música instrumental do período barroco foi fortemente marcada pela tradição do baixo contínuo, forma de escrita e de execução em que apenas a linha do baixo é definida na partitura, ficando toda a execução da harmonia a critério do músico que executava os instrumentos harmônicos (cravo, alaúde e outros instrumentos dessas famílias), tradição esta que seria abandonada com o fim do período barroco.

Foi no período conhecido como “classicismo” que a orquestra tomou sua formação atual, simultaneamente ao surgimento da idéia de música absoluta, que se tornou um critério positivo de valor estético, surgindo daí as composições denominadas sonatas, as sinfonias, o quarteto de cordas, os concertos, etc..

Apesar dos termos sinfonia, sonata e concerto já existirem no período barroco, foi no fim do século XVIII que eles assumiram um significado mais preciso em termos de forma musical, sendo que essas formas clássicas é que vieram possibilitar toda a sustentação à orquestra sinfônica ou filarmônica.

Como vimos, todo o movimento de estruturação do conceito de orquestra coincidiu com várias mudanças na construção dos instrumentos e na própria maneira de tocar dos conjuntos orquestrais, os quais ganharam em equilíbrio, afinação, precisão e, principalmente, em variação de dinâmica e articulação.

A orquestra pioneira dessa transformação, a partir de 1745, foi a Orquestra de Mannheim, na Alemanha,, sob a direção do violinista e compositor Johann Stamitz (1717-1757).

Stamitz foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento das sonatas e das sinfonias, e é apontado ainda como o responsável pelo alto nível do padrão técnico de execução atingido por aquela orquestra, e à novidade das obras musicais executadas em Mannheim.

Essa orquestra tornou-se um modelo para os compositores normalmente reconhecidos como os mestres do período clássico: Mozart, Haydn e Beethoven(compositores muito lembrados por André Rieu com a sua JSO), os quais são também reconhecidos como os principais compositores de sinfonias, responsáveis pela definição moderna do gênero e, com ele, pela definição do que pode ser chamado de “orquestra clássica”.

A orquestra clássica seria uma orquestra baseada nos instrumentos de cordas de arco, tratados pelos compositores como naipe, para o qual se escreve a quatro partes, como já vinha se tornando tradicão desde o início do século XVIII; além disso, a orquestra clássica seria normalmente acrescida das madeiras a dois (duas flautas, dois oboés, dois clarinetes e dois fagotes), das trompas, e ocasionalmente, dos tímpanos, trompetes e trombones.

Nesse período, até por volta de 1820, os instrumentos de bocal classificados como naipe dos metais, ou de sopro, ainda eram muito limitados pela inexistência de válvulas ou pistões em sua construção; assim havia muitas dificuldades com as modulações e os cromatismos, sendo os mesmos praticamente instrumentos que funcionavam em um único tom principal

Somente no decorrer do século XIX é que as orquestras puderam seguir uma tendência de aumento na participação dos instrumentos de sopro, talvez em função da influência direta da Revolução Francesa, e crescente popularidade das fanfarras e bandas militares.

Assim, à orquestra sinfônica incorporaram-se permanentemente os instrumentos do naipe dos metais, com tendência a ter seu uso aumentado ao longo do século: a partir da década de 1820 esses instrumentos ganhariam estabilidade e versatilidade pela incorporação das válvulas ou pistões, que permitiam que se tornassem instrumentos totalmente cromáticos (especialmente as trompas e os trompetes).

Como são instrumentos de grande potência sonora, o aumento no uso de instrumentos do naipe dos metais levou ao aumento do tamanho da orquestra: para manter o equilíbrio sonoro com um crescente naipe de metais, as madeiras tiveram de sofrer considerável aumento, chegando a ser comum o uso de madeiras a quatro..

E, para não ficar com a mesmice de quatro instrumentos iguais, para cada um desses instrumentos, desenvolveu-se uma família própria:as flautas (o picollo, duas flautas e a flauta baixo, ou flauta em sol), os oboés (dois oboés, o corne inglês e o oboé d’amore), os clarinetes (a requinta, dois clarinetes e o clarone, ou clarinete baixo) e os fagotes (três fagotes e um contrafagote).

O aumento nos naipes de sopro levou à necessidade de uma quantidade gigantesca de músicos para o naipe das cordas, para que seu volume pudesse ser equilibrado aos demais naipes da orquestra, posto que cada instrumento da família das cordas possui individualmente volume muito inferior aos instrumentos das madeiras e dos metais.

Esse aumento progressivo no tamanho da orquestra levou a duas direções do ponto de vista da técnica musical de orquestração:

- primeiro, a orquestra tornou-se um grupo de muito maior potência sonora, acompanhando  a tendência de aumento do tamanho das salas de concerto e de seu público;

- segundo, permitiu aos compositores uma gama muito maior de combinações de timbres, o que numa comparação com as cores na pintura acabou recebendo a qualificação de “palheta orquestral”.

No entanto, dentre os compositores do século XIX, alguns se mantiveram mais apegados à orquestra clássica e às formas tradicionais da sinfonia e do concerto.

Pode-se citar neste grupo, sem a pretensão de ser exaustivo, compositores como Schubert, Schumann, Mendelssohn, Chopin ou Brahms.

Outros compositores podem ser apontados como mais comprometidos com o desenvolvimento da orquestra e também, coincidentemente, com as formas musicais (notadamente com a criação do poema sinfônico e das novas formas de composição de ópera) e com a linguagem harmônica; nesse grupo estão incluídos, principalmente, Berlioz, Liszt e Wagner, numa tradição de vanguarda que tem continuidade na virada do século XIX para o XX, com Bruckner, Mahler, Richard Strauss, Rimsky-Korsakov, Mussorgski, Debussy, Ravel, Respighi e até Schoenberg, em sua primeira fase (antes de 1912).

São esses os compositores que mais desenvolveram combinações inusitadas entre os timbres dos instrumentos, técnicas arrojadas de execução dos próprios instrumentos, e também uma escrita rítmica e harmonicamente cada vez mais complexa.

Um grande exemplo é, sem dúvida, a “Sinfonia Fantástica de Berlioz”, escrita em 1830, apenas 3 anos após a morte de Beethoven; outro exemplo é uma composição considerada muito avançada, é o prelúdio da ópera “Tristão e Isolda”, de Wagner, concluída  em 1859.

Outra composição sempre lembrada como paradigma orquestral é a “8ª Sinfonia” (1907) de Mahler, apelidada de “Sinfonia dos Mil”, pela grande quantidade de músicos que emprega, entre orquestra e coral: o número de componentes necessários para a execução da 8ª Sinfonia é variável, mas na estréia, chegou efetivamente a mais de mil músicos!

Ao longo do século XX houve uma tendência de abandonar a orquestra como meio privilegiado de expressão musical dos compositores do ocidente, juntamente com o esgotamento criativo das formas musicais tradicionalmente associadas à orquestra, especialmente a ópera, a sinfonia, o concerto e o poema sinfônico.

Os compositores do século XX, quando voltavam à escrita orquestral e às suas formas tradicionais, normalmente tiveram o intuito de negar a tradição, subvertendo-a.

Ressalvas importantes podem ser feitas para um significativo número de compositores que se manteve mais fiel à tradição do século XIX, os quais foram classificados de nacionalistas ou neo-clássicos; mas mesmo estes recriaram a tradição muito a seu modo, usando uma linguagem sinfônica peculiar pouco parecida com a dos compositores novecentistas, especialmente quanto à linguagem harmônica e às combinações de timbres, mesmo quando mantiveram o grupo orquestral na forma tradicional do fim do século XIX.

A tendência ao abandono da grande orquestra e de suas formas tradicionais pode ser comparada a uma crise geral do período que ficou conhecido como “Belle Époque”: muitos analistas afirmam que foram os artistas os primeiros a sentirem e expressarem a crise do mundo burguês, que só ficou realmente patente com o estouro da 1ª Guerra Mundial em 1914.

De qualquer modo, a crise dos valores burgueses se fez sentir na escrita orquestral de várias formas, e especialmente, ficou mais difícil formar grandes orquestras, o que levou a uma tendência ao uso de pequenos grupos.

A dificuldade em formar grandes orquestras teve motivos econômicos, ligados à guerra e às crises que a sucederam, mas teve muito mais por motivos estéticos: a escrita orquestral foi se afastando do gosto do grande público por causa do abandono da discursividade melódica, da harmonia tonal e da regularidade rítmica por parte dos compositores.

Sem a possibilidade de reunir grandes públicos ficou mais difícil financiar grandes orquestras: a própria restrição política imposta à música de vanguarda pelo nazismo e pelo stalinismo levou ao exílio dos compositores radicais e à dificuldade de montar suas obras.

Por outros motivos, peculiares a seu desenvolvimento histórico, houve também os países que não formaram o seu público tradicional de música orquestral durante os séculos XVIII e XIX, caso, em geral, dos países do continente latino-americano.

Estes não quiseram ou não puderam fazer os investimentos necessários para isso no século XX, como fizeram os Estados Unidos e também os países do leste europeu (especialmente após a Segunda Guerra Mundial, de 1939 a 1945).

Em decorrência disso, os compositores latino-americanos também tiveram muitas limitações quanto ao uso de grandes orquestras, mesmo quando continuavam usando técnicas de composição mais tradicionais.

Assim, pode-se considerar como finalizado, no século XX, o uso das grandes orquestras pelo menos como grupo estável, utilizado pela maioria dos compositores contemporâneos.

A formação “orquestra” transformou-se, dessa forma, em um grupo instrumental dedicado à execução da música dos séculos XVIII e XIX, ou, quando muito, de epígonos do século XX ou XXI.

Os compositores passaram a utilizar grupos menores e, ao mesmo tempo, maior variedade de instrumentos.

A orquestração deixou de seguir um padrão mais ou menos aceito por grande conjunto de compositores e tornou-se muito atomizada: praticamente existe uma forma diferente de orquestração para cada compositor ou, ainda mais, formas de orquestração específicas para diferentes obras do mesmo compositor.

A grande característica da orquestra do século XX (se é que se pode usar este termo) é o aumento da presença dos instrumentos de percussão, que também ganham muito em variedade.

Ao contrário do que aconteceu nos séculos XVIII e XIX, quando os naipes de cordas e de sopros se padronizaram em torno de um grupo definido formado por poucos instrumentos diferentes, a percussão orquestral do século XX assumiu uma gama ilimitada de instrumentos, expandindo a palheta orquestral a níveis inimagináveis; pode-se dizer que o aumento do uso e da importância dos instrumentos de percussão na música do século XX acompanhou a tendência geral de aumento da importância do fator timbre frente aos fatores melodia e harmonia, bem como ao aumento do valor do ritmo.

Curioso observar que, mesmo o abandono da orquestra como grupo definido e como principal meio expressivo, a parte da composição destinada ao tratamento dos instrumentos musicais e de suas combinações continua sendo denominada “orquestração”.

Por isso não se pode deixar de mencionar que no século XX também houve uma tendência pela valorização do ruído e pelo desenvolvimento de instrumentos musicais não convencionais, bem como pelo seu uso em grupo – muitas vezes mantendo o termo tradicional “orquestra” para designar instrumentos muito diferentes daqueles consagrados na tradição clássico-romântica.

A figura do maestro, ou regente, na orquestra

No início da sua evolução as orquestras não contavam com a figura do regente, seja pelo tamanho reduzido dos grupos orquestrais (normalmente não mais que 20 ou 30 músicos), seja pela menor complexidade rítmica.

Normalmente não era necessária a regência, havendo apenas um líder do grupo que orientava os ensaios, ou mesmo coordenava a execução, a partir de seu próprio instrumento musical, enquanto participava do concerto.

Somente na segunda metade do século XIX é que a figura do regente tornou-se comum: o aumento do tamanho das orquestras e também da complexidade rítmica das obras executadas levou ao fato de que tornava-se praticamente impossível executar certas obras sem o trabalho do regente.

Este torna-se responsável por decisões de interpretação como andamento, caráter, instrumento ou voz a ser destacada em determinado trecho; torna-se responsável também pela coordenação dos ensaios, o que o obriga a conhecer previamente e, muito bem, a totalidade da obra para garantir a perfeita junção das partes de cada músico.

Finalmente, torna-se responsável pela marcação do tempo e das entradas mais importantes durante a execução em concerto, função esta a mais aparente da atividade de um maestro.

André Rieu sempre sonhou e realizou o sonho de formar uma orquestra para que pudesse levar a um público o mais eclético possível, a música clássica, e também a música “pop”, apresentada a seu jeito, tendo enfrentado no início, a oposição de seu pai e de seus irmãos, e também a crítica dos puristas da música erudita.

Porém o Maestro seguiu em frente, fiel às suas convicções de como queria levar a música de que gostava a qualquer pessoa, indistintamente, a seu modo, sendo hoje o seu sucesso considerado um fenõmeno em escala planetária.

A Maastrichts Salon Orkest (MSO), e posteriormente a Johann Strauss Orkest (JSO), representam a alma de André Rieu e a sua forma peculiar de fazer música e levá-la, sem preconceitos, a todos os públicos, e tiveram uma evolução fantástica e emocionante, ao longo da carreira do André, digna do talento de seu criador e líder.

A MSO contava inicialmente com apenas cinco músicos, e a JSO, em sua formação inicial, em 1987 (primeiro concerto realizado em 1º de janeiro de 1988), com apenas 12 integrantes.

Atualmente a JSO conta com cerca de 50 integrantes fixos, sendo que frequentemente participam outros músicos, solistas, e coros convidados.